Por que existe a deficiência física e mental?
Uma das passagens mais belas e ilustrativas da consistência do pensamento espírita reside nas más-formações físicas e mentais de muitos seres humanos. Afinal, se Deus é soberanamente justo e bom, como aceitar que alguns nasçam com perfeita saúde e outros devam ter uma existência marcada por limitações? A resposta para esta pergunta pode estar ligada diretamente a uma existência anterior do espírito, alguma característica que precisa ser tolhida ou desenvolvida. [1] A situação mais evidente é a do cruel explorador de escravos de séculos anteriores, cuja prática de tortura impregnou-lhe com débitos kármicos a saldar. A medida que a sociedade humana avança, no entanto, o mal se dissipa, o tratamento de uns para com os outros evolui, a tecnologia ameniza os déficits, fornecendo preciosas muletas para os membros, olhos, e até para o cérebro cuja deficiência impeça qualquer expressão. Enquanto se suavizam os resgates, se altera o papel do planeta como universo de provas. A aproximação da medicina com as leis naturais resolverá a maior parte dos problemas dos sentidos, e mais sutis serão as necessidades de alteração comportamental. Os de estágio moral muito rudimentar não encontrarão mais reduto de experimentação e terão que migrar para outros mundos.
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[1] Na obra 'Deficiente Mental: Por Que Fui Um?', psicografada por Vera Lúcia de Carvalho, um espírito relata: "...sabia que estava preso num corpo deficiente, com o cérebro danificado por uma causa física. Lógico, o cérebro físico adoece. E por quê? Certamente tem as causas e as explicações por meio do espírito que habita nele. Porque é difícil nós, na roda dos renascimentos, sermos totalmente isentos de erros. Pode acontecer até um acidente que danifique o feto, o corpo físico, e o perispírito ser e continuar perfeito. Muitas vezes amigos do reencarnante podem desligá-lo da matéria defeituosa, porque, se ele tiver algo para realizar, não será possível num corpo deficiente. Há então o desencarne e ele fará nova tentativa. Ou então esse espírito aproveita a oportunidade e faz da deficiência um grande aprendizado... Um dia meus pais, que há tempo estavam desencarnados, vieram atrás de mim. Abraçaram-me comovidos. 'Oh! Meu filho, o que a guerra fez com você!', disse meu pai. Não foi a guerra que me fez mal. Com ela tive a oportunidade, uma grande chance de ter sido útil a todos. Deus não separa, não faz diferença entre seus filhos. Como pude eu fazer? Tive o ensejo de fazer o bem e preferi fazer o mal. A guerra só me deu a escolha. E infelizmente errei. Não reconheci meus pais, porém senti a demonstração de carinho, chorei e me refugiei nos braços deles. Levaram-me para um socorro, recusei tremendamente a melhora, o remorso destrutivo lesou meu perispírito como também a perseguição que tive dos que não me perdoaram. Os orientadores que cuidavam de mim disseram aos meus pais que eu melhoraria muito na matéria, num outro corpo, com a bênção do esquecimento. Mas minha lesão me acompanharia, seria um deficiente mental. Os dois, meus pais, planejaram reencarnar, se unir e me aceitar como filho. Compreenderam que me criaram no orgulho, no preconceito, como se fosse uma raça superior, e que contribuíram para os meus erros. Reencarnaram e fiquei internado esperando minha volta à carne ... Quando nos iramos, desejando mal a alguém, criamos uma energia maligna e a projetamos, porém metade fica com quem cria, e se a outra pessoa para a qual enviamos essa energia negativa estiver com uma boa vibração, ela não a receberá e essa energia volta em dobro à fonte de origem.” O assunto também é abordado no romance 'Por que comigo', da mesma autora.
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