O que é depressão?

A depressão se caracteriza como uma melancolia acentuada de causas variadas, normalmente associada à predisposição genética. A literatura médica a classificará como o mal do século, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Biologicamente, identificam-se "problemas do quimismo neuronal, com a falta de alguns neurocomunicadores responsáveis pela alegria, o bem estar, o afeto, tais como a dopamina, a serotonina e a noradrenalina."[1] A partir da perspectiva de que o espírito é eterno e a encarnação passageira, ausentes motivações aparentes, pode-se cogitar de que o surgimento da depressão tenha se dado em vidas anteriores. Mas, não se deve imputar a causa deste desequilíbrio a terceiros, muito menos ao "sistema humano imperfeito". Sendo o meio produto de cada homem, a falta de auto-crítica e ação transformadora ainda constituem os principais vetores da doença. Dificilmente um depressivo concebe que possa ser ele mesmo a fonte do mal sofrido,  principalmente quando existe um personagem palpável e próximo para culpar. Um pai, mãe ou patrão rigoroso. Um filho rebelde. Uma esposa amargurada ou um marido atolado em dívidas. Alguém outro que nos possibilite assumir a cômoda postura de vítima. A justiça eterna, sendo perfeita, não poderia conceber uma tal cegueira. Não por muito tempo. E as provas que serão enfrentadas, incluíndo as doenças, não servirão para outra coisa que não minar resistências internas que impedem a qualificação das expressões do ser. A depressão "se exterioriza em razão do doente, que é sempre o Espírito encarnado em processo de reequilíbrio dos delitos anteriormente praticados."[2] Não é difícil imaginar que um planeta como a Terra ofereça experiências diversas bastante desafiadoras para um espírito que precisa ampliar seus horizontes do conhecimento. Se cada suicida em conflito tivesse a exata dimensão do complexo projeto de encarnação, jamais cogitaria dar cabo de si. Na realidade, temos participação ativa e consciente em diversas escolhas pontuais da experiência terrestre, antes do nascimento, e a própria conformação frequencial do ser encarnado também contribui para o surgimento de novos desafios. Como um projeto nunca está isolado mas entrelaçado ao de outras pessoas, a desistência sempre terá alto preço. Nada escapa de criteriosas avaliações que serão feitas por mentores preparados, ao retorno à pátria espiritual. Pode-se colher saborosos frutos nesta vida, pelo amor e trabalho. O processo reencarnatório pode ser criterioso e responsável. As vezes o que as circunstâncias reclamam é simplesmente resiliência, tolerância, perdão ou desenvoltura capaz de evitar embates. Certo é que, se as causas não forem alteradas, os efeitos não serão. Obviamente, existe um componente extravagante ao princípio kármico da ação e reação, conhecido por ação ou intervenção divina. A inteligência superior poderá realocar o ser em uma vida mais amena, elastecendo o tempo entre as provas a enfrentar, ou alterar-lhe a natureza, com o mesmo fim de permitir melhor assimilação do espírito. Importante é distinguir desde logo a causa primordial de todos os sofrimentos humanos, residente neles mesmos.  É preciso reavaliar-se, pois só o percuciente exame da personalidade será capaz de identificar e fortalecer os instrumentos de cura para doenças como a depressão. Tudo podemos se não nos impusermos sabotagens psicológicas. Devemos confrontar as próprias falhas e propor a silenciosa revolução do ser. Elevar a frequência com alegria, louvor à perfeição do que acontece ao redor, dedicar-se ao prazer de viver sem esquecer que haverá dias difíceis, tanto quanto que eles ficarão para trás, compondo um repertório de superações. Como a tempestade que abranda ao sol.

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[1] Franco, Divaldo.  Vitória sobre a Depressão. Leal Editora.
[2] Idem.

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